Causa de TODAS as DOENÇAS

A GRANDE CAUSA DAS DOENÇAS: A INFLAMAÇÃO SILENCIOSA

Faço desta ferramenta de comunicação um meio para alertar as pessoas sobre o verdadeiro mecanismo das doenças. Trata-se de um descaso a nível mundial e acredita-se que por interesses financeiros esta informação esteja sendo omitida. Apelo para transmitirem esta informação ao maior número de pessoas possível, assim cada um terá a possibilidade de agir em benefício de sua própria saúde.

O que é inflamação silenciosa?
Trata-se de um processo inflamatório silencioso e indolor que se instala no organismo ao longo dos anos e décadas. Ao ignorar a sua existência, acaba-se, por consequência, a deixar de combater. Em estado latente se pronuncia na forma de uma doença crónica.
É muito importante entender que a ausência de sintomas está longe de ser sinónimo de saúde. As doenças cardiovasculares, diabetes, cancro, Alzheimer são só alguns exemplos de doenças que são desenvolvidas ao longo dos anos. Suas sementes são plantadas muitas vezes desde a tenra idade, a depender dos genes, dos hábitos alimentares, da variação do peso e do condicionamento físico.
Estudos descobriram que a inflamação silenciosa, conforme ganha força, cria cada vez mais vias de enfraquecimento celular: favorece o depósito de colesterol nas artérias coronárias, o que leva a enfartes e possivelmente derrames; ataca os neurónios cerebrais, o que em pessoas susceptíveis pode aumentar a chance do Alzheimer e até mesmo pode provocar rápida divisão celular, o que leva a maiores possibilidades de se desenvolver o cancro.
Em geral nota-se a inflamação quando alguma parte do corpo ou tecido estão inchados, vermelhos; mas a atenção será sempre muito maior quando houver dor. Toda a dor se deve à inflamação. Quando isso acontece, geralmente para resolver a situação opta-se por um medicamento anti-inflamatório (aspirina, benuron, iboprufeno, etc.). Quando estas drogas vendidas sem receita médica deixam de funcionar, é provável que com alguma relutância procure-se ajuda médica em busca de medicamentos mais fortes. Fomos condicionados a buscar sempre a reduzir e eliminar a dor. Ainda que os analgésicos sejam potentes para este efeito, se tornam inúteis em deter a verdadeira causa da inflamação.
A inflamação está muito além do que os olhos vêem e começa mesmo muito tempo antes de qualquer dor ou processo de inchaço. É a nossa principal arma no combate aos invasores externos (tais como vírus, fungos, bactérias e parasitas) que causam doenças infecciosas. No instante que um destes invasores, entra na corrente sanguínea, a inflamação é o processo que coordena um ataque para destruir o inimigo e qualquer tecido infectado. É através deste mesmo processo que o corpo reage aos traumas e ferimentos para concertar-se. Sem a inflamação seríamos presas fáceis de organismos oportunistas e os danos ao corpo jamais se curariam.
As vezes, contudo, este processo não se encerra quando devia e torna-se crónico ao invés de transitório e mantém-se indolor. É essa a perigosa inflamação que acaba por acelerar a decadência do organismo. Dizima vasos sanguíneos, tecidos e células e prepara o cenário para a doença crónica.
O segredo para o bem-estar físico e mental é garantirmos o controlo desta inflamação silenciosa da melhor maneira possível ao longo de toda a vida. Saber controlar o sistema inflamatório para que interrompa no momento certo, depois de derrotado o invasor e curada a ferida. Se imaginarmos este sistema como um exército, a infantaria da inflamação silenciosa seriam hormonas chamadas eicosanóides, que funcionam de forma coordenada com o sistema imunitário. Quando o exército permanece em campo mesmo após a batalha ganha, tornam-se mediadores da inflamação silenciosa.
Vamos entender melhor nosso exército imunitário?
EICOSANÓIDES: são as principais hormonas responsáveis  pelo controlo do processo inflamatório. Acciona as células especialistas em inflamação (neutrófilos e macrófagos) através da corrente sanguínea, até o local desejado, aonde destroem os invasores. Os eicosanóides possuem ainda uma acção de reparo e rejuvenescimento; e também liberam mais proteínas inflamatórias, chamadas citosinas, que pedem reforços. Logo um exército de células imunológicas acorre ao local, destruindo micróbios e qualquer tecido danificado.
CÉLULAS IMUNOLÓGICAS: guardiãs do corpo, chamadas mastócitos, estão sempre alertas para os problemas. Ao primeiro sinal de invasão externa, liberam histamina, uma substância química que da o alerta a indicar que um novo ataque deve iniciar. A histamina circula pela corrente sanguínea a gerar uma reacção em cascata, que começa uma explosão de eicosanóides pró-inflamatórios. Os vasos de sangue se dilatam em resposta a esses eicosanóides permitindo que mais células soldado (neutrófilos e macrófagos) atinjam o alvo o mais rápido possível. Essa dilatação dos vasos causa ainda os sinais característicos de inflamação: vermelhidão, inchaço, calor, dor.
DOR: a dor é causada pelo aumento de líquidos no local, que accionam as terminações nervosas e consequentemente ao cérebro. Quando a batalha é longa, o estímulo das fibras nervosas é maior, assim como o sinal de dor recebido ao cérebro. Este sinal auxilia a nos afastarmos do mal.
Quando a batalha cessa, o corpo recolhe o exército imunológico e envia hormonas como o cortisol e eicosanóides anti-inflamatórios, que possuem função oposta aos eicosanóides pró-inflamatórios. Estes agentes anti-inflamatórios fazem cessar a dor e a começar o processo de cura.
Quando a inflamação persiste:
O problema começa quando este processo inflamatório persiste e se transforma em inflamação silenciosa crónica. Há um colapso nas comunicações e os eicosanóides pró-inflamatórios continuam a ser gerados, embora em menor quantidade. Eles travam uma guerra imunológica, mas agora contra você. Os tecidos, células e vasos são constantemente atacados. Se for um ataque de alta intensidade a dor pode permanecer.
Sim, é possível lidar com a dor lancinante ao utilizar drogas analgésicas ou anti-inflamatórias cada vez mais potentes, como por exemplo, os corticosteróides. Praticamente todos os analgésicos interrompem a superprodução dos eicosanóides pró-inflamatórios.
Infelizmente as mesmas drogas interrompem também a produção de eicosanóides anti-inflamatórios, dos quais o corpo precisa para reparar os danos causados no campo de batalha (tecidos danificados) e também para manter o bem-estar físico e mental. O uso prolongado de analgésicos e anti-inflamatórios pode provocar inúmeros efeitos secundários como úlceras estomacais, distúrbios no revestimento dos intestinos (Leaky Gut Syndrome), enfartes e pode até mesmo levar à morte. Nos EUA, anualmente, morrem quase tantas pessoas em razão do uso recomendado de drogas anti-inflamatórias, quanto morrem de SIDA.
A inflamação silenciosa é perigosa pois é indolor. Embora conduzida pelos mesmos eicosanóides inflamatórios que a dor lancinante, ela fica muitos anos oculta, neste caso as terminações nervosas e o cérebro ficam sem recebem sinal de dor. Por isso, ela pode, aos poucos, desgastar todos os sistemas do corpo. À semelhança de um veneno, destrói a divisão celular, o sistema imunitário e órgãos principais como o coração e o cérebro.
A causa e a cura da inflamação silenciosa
Existem três superproduções de hormonas associadas a inflamação silenciosa e ao cenário da doença crónica:

1.    Eicosanóides pró-inflamatórios
2.    Insulina
3.    Cortisol

OS HÁBITOS ALIMENTARES SÃO OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS PELO EQUILÍBRIO DO PROCESSO INFLAMATÓRIO!!! ENRIQUEÇA SEU ESTILO DE VIDA COM MAIS SAÚDE! VIVA!


1. Eicosanóides pró-inflamatórios: a maioria das pessoas os produz em demasia. É necessário um equilíbrio entre os eicosanóides pró e anti-inflamatórios a fim de fintar a inflamação silenciosa e as doenças crónicas. As doenças auto-imunes como artrite reumatóide, a esclerose múltipla, o lúpus e a doença de Crohn podem ocorrer quando o sistema imunitário produz “fogo amigo” (os soldados foram atingidos por seu próprio exército= desequilíbrio entre os eicosanóides).

PRIMEIRO PASSO: AUMENTAR NA DIETA O CONSUMO DE ÓMEGA-3
 (fonte de eicosanóides anti-inflamatórios)
         
          Os eicosanóides anti-inflamatórios (bons) provêm da adopção de uma dieta rica em ácidos gordos Ómega-3 de cadeia longa (que se encontram no óleo de peixe) e pobre em ácidos gordos Ómega-6 (que se encontram em óleos vegetais como os óleos de milho, soja, girassol e açafrão). Isso porque os ácidos gordos Ómega-3 de cadeia longa reduzem a produção de eicosanóides pró-inflamatórios, ao passo que os ácidos gordos Ómega-6 aumentam a produção de eicosanóides pró-inflamatórios.
         Como pode o tipo de gordura que comemos causar inflamações silenciosas?
Certos eicosanóides pró-inflamatórios (principalmente os chamados prostaglandinas e leucotrienos) são originários do acido araquidónico (AA), um ácido gordo Ómega-6 de cadeia longa. Os sintomas clássicos de inflamação se devem, em grande parte, a esses eicosanóides. As prostaglandinas causam dor e os leucotrienos causam a inchação e a vermelhidão associadas à inflamação.
A melhor forma de dispensar essas tropas do exército anti-inflamatório proveniente do AA (Ómega-6), é preciso aumentar o número de eicosanóides anti-inflamatórios “bons”= ácidos gordos Ómega-3, tais como o Ácido EicosaPentanóico (AEP, mais conhecido como EPA nos rótulos de produtos importados).
É principalmente o equilíbrio entre AA e AEP no sangue que define os níveis de inflamações silenciosas no corpo.
Até cerca de 80 anos atrás, a nossa população consumia as gorduras Ómega-3 em proporção de 2:1 em comparação com as gorduras Ómega-6. Comíamos muito mais peixes naquela época, e muitos dos nossos avós tomavam uma dose diária de óleo de fígado de bacalhau, rico em Ómega-3. Além disso, os óleos vegetais refinados eram parte reduzidíssima da dieta. Agora tudo isso mudou. Estamos comendo muito mais gorduras Ómega-6 e muito menos gordura Ómega-3, e a proporção entre esses dois grupos de ácidos gordos se aproxima de 20:1. Com esse aumento impressionante de ácidos gordos Ómega-6 na nossa dieta, a quantidade de inflamações silenciosas na nossa sociedade cresceu na mesma proporção. Cardiopatias, diabetes e cancro estão em alta porque são iniciados pela inflamação silenciosa, que provém da superprodução de eicosanóides pró-inflamatórios.

2. Insulina: simplesmente consumir muito mais óleo de peixe e muito menos óleo vegetal já começa a reduzir a inflamação silenciosa. Alterar os hábitos alimentares também pode surtir consequências imediatas, porque vai reduzir os níveis da hormona insulina, que afecta indirectamente as inflamações silenciosas. Isso porque os níveis elevados de insulina aumentam a produção de AA (Ómega-6), o bloco construtor de todos os eicosanóides pró-inflamatórios.
Hoje se ouve muito a respeito da insulina, mas talvez não se saiba por que ela é tão importante. Para começar, a insulina é a hormona de armazenagem que leva os nutrientes às células. É essencial para a sobrevivência, pois permite que as células armazenem nutrientes ou os usem imediatamente para obter energia. Sem níveis adequados de insulina, as células literalmente morrem de fome. É isso que acontece na diabetes tipo 1 (diabetes juvenil), no qual a pessoa não produz insulina. Sem injecções de insulina, a morte é o resultado inevitável.
Porém para a maioria de nós (livres da diabetes) é maior a probabilidade de ter o problema oposto: fabricar insulina em demasia. Isso é ruim por ser o excesso de insulina que engorda e dificulta emagrecer. QUANTO MAIS INSULINA PRODUZIRMOS MAIOR É A INFLAMAÇÃO E O TEOR DE GORDURA CORPORAL.
Ao envelhecer, as células se tornam menos reagentes à insulina, e o pâncreas precisa produzir cada vez mais insulina para fazer chegar às células do fígado e dos músculos a mensagem de que os nutrientes dietéticos que chegam (principalmente açúcar e aminoácidos) precisam ser absorvidos pelas células. Isso se chama resistência à insulina. Em geral, quanto maior é o excesso de gordura no corpo, maior é a resistência à insulina, e mais insulina o corpo precisa produzir para superar essa resistência. Isso significa um aumento no nível de inflamações silenciosas, e um risco muito mais alto de contrair uma doença crónica.
A resistência a insulina é precursora da diabetes tipo 2, das cardiopatias e da síndrome metabólica. Na diabetes tipo 2, o pâncreas fatalmente começa a falhar, pois não pode mais continuar a produzir as “mega doses” de insulina necessárias para inserir glicose nas células. Sem essa produção excessiva de insulina para manter sob controlo o nível de glicose no sangue, ele sobe a níveis perigosos. Na cardiopatia, a produção elevada de insulina leva ao aumento da inflamação silenciosa, que é a causa fundamental de seu surgimento. Essas são duas manifestações de resistência à insulina a longo prazo.
A ligação do excesso de insulina com as inflamações silenciosas provém do facto de que ela aumenta a produção de AA. Em resumo: controlar a insulina é essencial para quem quer inverter o curso da inflamação silenciosa e prosseguir rumo ao bem-estar físico e mental. Os sistemas hormonais dos eicosanóides e da insulina estão intrinsecamente ligados. Ambos provocam a inflamação silenciosa se estiverem desequilibrados. Ambos reduzem as inflamações e as inflamações silenciosas quando voltam ao equilíbrio. A má noticia é que a maioria de nós tem ambos os sistemas desequilibrados ao mesmo tempo, e isso só piora conforme envelhecemos.
3. Cortisol: quando o corpo está num estado constante de inflamação silenciosa, reage fazendo com que as glândulas adrenais produzam grandes quantidades de cortisol, a principal hormona anti-inflamatória que temos para cessar o excesso de inflamações. Costumamos achar que o cortisol é a hormona do stress, mas na verdade é uma hormona anti-stresse. Nas células, todo stress cria um estado inflamatório provocado pela superprodução de eicosanóides pró-inflamatórios. O cortisol é enviado para baixar os níveis desses eicosanóides, o que é bom a curto prazo, quando o stress é temporário. Mas ter um nível alto de constantes inflamações silenciosas significa que serão permanentes os níveis altos de cortisol, provocando inúmeras consequências nocivas como aumentar a resistência à insulina (o que engorda), matar os neurónios (o que reduz a inteligência) e deprimir todo o sistema imunológico (o que o torna mais doente). Esses são danos colaterais que provêm do aumento de inflamações silenciosas.
A dieta e o estilo de vida são determinantes no nível das inflamações.
Quanto mais calorias comemos, mais aumenta nossa fome.
Esse paradoxo não vai parecer tão estranho quando entendermos o que provoca essa fome: pouco açúcar no sangue. O cérebro precisa de determinada quantidade de glicose (açúcar no sangue) como combustível. É um devorador de glicose, consumindo 70% da glicose do sangue para manter-se em funcionamento, embora corresponda a menos de 3% do peso total do corpo. Quando cai o nível de glicose no sangue, o cérebro dá o equivalente a um “chilique”: você pode sentir-se irritado, ficar com as ideias nubladas ou sentir cada vez mais fome. Seja qual for o sintoma, aprendemos a automedicar essa queda no nível de glicose do sangue comendo mais hidratos de carbono, em especial barras de chocolate, refrigerantes repletos de açúcar, biscoitos doces, salgadinhos de milho, pães, etc. que entram rapidamente na corrente sanguínea na forma de glicose. Depois disso, nos sentimos melhor. O cérebro o recompensa por dar-lhe a glicose que tanto precisa. Quanto mais depressa o cérebro é alimentado, mais depressa nos sentimos melhor. Escolher alimentos exclusivamente ricos em hidratos de carbono, faz subir muito rápido o açúcar do sangue= insulina, o que em muito pouco tempo faz o processo recomeçar: fome, irritabilidade, queda intelectual, desejo por açúcares. Basta tomar essa automedicação constantemente para que a gordura corporal se acumule, porque é a insulina em excesso que nos engorda e nos mantém gordos.
A grande dica aqui é o equilíbrio. Saber manter o balanço entre insulina (açúcares), proteínas (mantém a hormona glucagon) e gorduras “boas” rica em ómega-3. A insulina e o glucagon são hormonas que funcionam em conjunto para manter a fome sob controlo e o cérebro feliz. A insulina conduz a glicose do sangue para as células do fígado a fim de usá-la mais tarde, e o glucagon libera essa glicose armazenada quando o cérebro precisa dela. Os hidratos de carbono estimulam a secreção de insulina; as proteínas estimulam a secreção de glucagon. Quando essas duas hormonas estão em equilíbrio em razão de uma dieta bem proporcional, mantemos a fome sob controlo e perdemos o excesso de gordura corporal em razão da ausência de fome entre as refeições.
Só existem dois combustíveis que o corpo pode usar de imediato para obter energia: glicose e gordura. Quando o corpo está em repouso, mais de 70% das necessidades de energia provêm da gordura em circulação. O cérebro, porém, só pode usar glicose para gerar energia. Isso funciona muito bem se houverem quantidades adequadas de glicose e gordura circulando na corrente sanguínea. O cérebro recebe o que quer (glicose) e o resto das células do corpo recebe o que quer: um combustível de alta octanagem (gordura). O excesso de insulina (dieta rica em hidratos de carbono sem proteínas ou boas gorduras), obriga o corpo e o cérebro a concorrer por uma quantidade relativamente limitada de glicose no sangue. A fome aumenta em consequência disso e procuramos mais calorias para consumir, provavelmente na forma de hidratos de carbono, e outro aumento de insulina ocorre… e alimenta um círculo vicioso que acaba por levar ao aumento de peso e de inflamação silenciosa.

SEGUNDO PASSO: SABER ESCOLHER E COMBINAR OS HIDRATOS DE CARBONO (equilibrar a insulina e o cortisol)
         
Como escolher e combinar bem os hidratos de carbono?
É importante entender que cada alimento tem um tipo diferente de açúcar. Os cereais, farináceos e os amidos (pão, massas, arroz, milho, batata, etc.) possuem um tipo de açúcar que é convertido rapidamente em glicose durante a digestão, provocam um rápido aumento na secreção de insulina. Quanto mais rápida for a entrada da glicose na corrente sanguínea, mais insulina é excretada. Por outro lado, a frutose (açúcar das frutas e hortaliças) é rapidamente absorvida, mas a sua conversão em glicose no fígado é bem lenta. Em consequência, o açúcar da frutose entra na corrente sanguínea em velocidade muito mais lenta do que a glicose dos farináceos. Menos glicose na corrente sanguínea significa menos secreção de insulina.
As hortaliças são cerca de 30% frutose, as frutas são 70% frutose e os cereais e amidos são 100% glicose. Isso deve ajudá-lo a entender por que comer mais hidratos de carbono complexos, como os cereais e os amidos, tem impacto mais forte sobre a elevação dos níveis de insulina. Além disso, a presença de fibras solúveis (que se encontram principalmente em frutas e hortaliças) faz a velocidade de entrada de glicose na corrente sanguínea cair ainda mais, produzindo menor aumento na secreção de insulina. (Nota: as fibras insolúveis dos cereais e dos amidos produzem pouco impacto na desaceleração da entrada da glicose na corrente sanguínea, o que é mais um golpe contra os cereais e os amidos.)
Não se esqueça: consumir hidratos de carbono principalmente na forma de hortaliças e frutas é uma grande maneira de controlar os níveis de insulina, ao passo que comer cereais e amidos não é.
Índice Glicémico (IG)
Cada alimento que contém hidratos de carbono entra na corrente sanguínea em determinada velocidade, essa velocidade chama-se índice glicémico. Quanto mais elevado o índice glicémico, ou seja a velocidade de digestão de um determinado alimento, mais rápido eleva-se o nível de glicose do sangue e consequentemente maior será a secreção de insulina.
Se soubermos combinar melhor os alimentos e dar prioridade aos que possuem baixo IG (baixa velocidade de digestão) teremos a libertação de açúcar (glicose no sangue) e de insulina moderados.
Leia mais sobre Índice Glicémico ao aceder este link: http://nutriquanticanovaera.blogspot.com/p/tabela-do-indice-glicemico.html

Carga Glicémica

A carga glicémica revela a importância da quantidade total de hidratos de carbono que se come de uma só vez. É natural que quanto maior é a quantidade do alimento, também influenciará a sua potencia em aumentar os níveis de glicose no sangue e libertação de insulina.
Quanto mais alta for a carga glicémica da dieta, mais elevados serão os níveis de inflamações silenciosas.
O ideal é calcular-se a força da carga glicémica multiplicando-se o índice glicémico (IG) de determinado hidrato de carbono pela quantidade total desse hidrato de carbono (gramas) em uma refeição e, então, dividindo-se por 100.
Carga Glicémica (g) = (IG do hidrato de carbono x gramas do hidrato de carbono por porção) /100.
A carga glicémica de cada refeição ou da dieta diária tem forte correlação com a quantidade de insulina que será excretada no sangue.




TIPO DE HIDRATO DE CARBONO
CARGA GLICÉMICA
 NUMA PORÇÃO TÍPICA
Hortaliças sem amido
(ex.: espinafres, nabiças)
1-5
Frutas
5-10
Cereais e amidos
(massas, arroz, batatas, pães, pastelaria)
20-30
Fast Food / Comida pronta
(refrigerantes, batatas fritas, doces, bolachas, lasanhas, pizzas, etc.)
20-30
















Vemos nesta tabela que, no tocante à carga glicémica, não há muita diferença entre cereais e amidos e as “porcarias” típicas. É sensato comer mais frutas e hortaliças e menos cereais e amidos (massas, arroz, batatas, pães, pastelaria), e claro menos das porcarias típicas. Isso explica por que adoptar uma dieta baseada em frutas e hortaliças baixa os índices de cardiopatia, câncer e outras doenças crónicas. Essa dieta baixa a carga glicémica que, por sua vez, reduz as inflamações silenciosas. Por que a dieta de alta carga glicémica aumenta a inflamação silenciosa? O aumento na secreção de insulina estimula a produção de AA (Omega-6), o bloco construtor de todos os eicosanóides pró-inflamatórios.

TERCEIRO PASSO: SABER MANTER A BOA PROPORÇÃO ENTRE HIDRATOS DE CARBNO, PROTEÍNAS E GORDURAS SAUDÁVEIS
         

Proteínas
As proteínas são os tijolos do corpo. Este nutriente fornece os aminoácidos necessários que o corpo requer para se reparar, produzir enzimas, construir músculos, ossos, pele e todos os tecidos e ajuda ainda a manter o bom funcionamento hormonal e imunológico.
As proteínas também são importantes, pois estimulam a produção de glucagon, a principal hormona que é responsável por manter o cérebro feliz com as doses adequadas de glicose, consequentemente menor sensação de fome e compulsão. O glucagon favorece ainda usarmos as reservas de gordura armazenadas no fígado (glicogénio), ou seja, facilita a manutenção dos stocks de gordura e do peso corporal.
De um lado, se o cérebro está feliz (recebendo glicose suficiente), então não sentimos fome. Por outro lado, se o cérebro não tem níveis adequados de glicose do sangue, dá um ataque temperamental até que comamos hidratos de carbono suficientes para restabelecer seu único suprimento de combustível. Ao comer níveis adequados de proteínas, não é preciso comer níveis excessivos de hidratos de carbono para manter níveis óptimos de glicose no sangue, porque eles serão constantemente liberados pelo fígado. Só precisamos da quantidade que tem o tamanho e a espessura da palma da mão. Equivale a 85 gramas de proteínas pobres em gordura para a mulher mediana e 115 gramas para o homem mediano.
O que é proteína pobre em gorduras? Alimentos como: peixe, frango, peru, pato, coelho, claras de ovos, cortes bem magros de carne vermelha (menos de 7% de gordura) e, para os vegetarianos, produtos de soja (tofu ou produtos que imitam carne). Todas as proteínas animais contêm ácido araquidónico (AA – Ómega-6). Quanto mais pobre em gorduras for a fonte de proteínas, menos AA consumimos e menos esforço precisamos dedicar ao controle da inflamação silenciosa. Atenção a carnes ricas em gordura: porco, borrego, costeletas, presuntos, charcutaria, salsichas, panados, fritos.
Quando comemos proteínas demais, podemos engordar, pois o excesso que comemos, e o corpo não precisa de imediato, tem de ser convertido em hidratos de carbono ou gordura para armazenagem.

Gorduras
A gordura é um nutriente essencial. Precisamos de certa quantidade na dieta, não só para melhorar o sabor dos alimentos, mas também para liberar uma hormona (colecistocinina) do duodeno que vai directamente para o cérebro a fim de mandá-lo parar de comer (é a hormona da saciedade). As dietas sem gorduras não são apenas insípidas, mas estimulam a fome porque jamais recebemos do cérebro o sinal de “cheio”.
É essencial escolher a gordura certa se quiser manter a inflamação sob controlo. Comer o tipo errado de gordura aumenta os níveis de AA, o que gera inflamações silenciosas. O culpado mais traiçoeiro das inflamações na dieta é o consumo em massa de ácidos gordos Ómega-6. Quanto mais gorduras Ómega-6 consumimos, mais provável se torna que o corpo as converta em AA, principalmente quando ele já está produzindo altos níveis de insulina. Isso porque a insulina estimula a principal enzima que produz AA.
Trocar os óleos vegetais ricos em ácidos gordos Omega-6 (soja, milho, girassol, e açafrão) por azeite de oliva prensado a frio é um bom começo. Salpicar nozes, amêndoas e fatias de abacate à salada. Adicionar sementes à dieta, como: sementes de linhaça, pevides de abóbora, sementes de girassol, sementes de sésamo (gergelin), chia e farelos como o gérmen de trigo. O azeite de oliva, as nozes, as sementes e o abacate são ricos em gorduras monoinsaturadas também chamadas Ómega-3. Do ponto de vista das inflamações, essas gorduras monoinsaturadas são neutras, pois não podem ser sintetizadas em eicosanóides pró-inflamatórios.
O óleo de peixe é a gordura mais saudável porque tem profundas propriedades anti-inflamatórias. Talvez até seja o mais saudável remédio existente, pois oferece inúmeros benefícios sem nenhum dos efeitos colaterais a longo prazo das drogas anti-inflamatórias. O motivo de ser o óleo de peixe em altas doses tão eficaz na redução da inflamação silenciosa é que ele reduz o ácido araquidónico (AA), o bloco construtor dos eicosanóides pró-inflamatórios, em menos de 30 dias. Tem a vantagem adicional de, simultaneamente, aumentar os níveis de ácido EicosaPentanóico (AEP), conhecido como EPA nos rótulos dos suplementos importados, e que representa o bloco construtor dos eicosanóides anti-inflamatórios.
O normal para todas as crianças duas gerações atrás era a dose diária de uma colher de sopa de óleo de fígado de bacalhau. Embora ainda esteja entre os alimentos mais repugnantes de todos os tempos, essa dose representava cerca de 2,5 gramas de AEP e ADH, com propriedades anti-inflamatórias significativas. Parar de dar aos nossos filhos o óleo de peixe em altas doses talvez tenha sido a maior calamidade da saúde pública do século XX. O resultado é a epidemia de inflamação silenciosa.

Conclusão:
Sou nutricionista e há muitos anos tenho feito um trabalho dedicado a ensinar este processo de uma nova proposta alimentar às pessoas. Lembro que a roda e a pirâmide alimentar possuem na sua base os alimentos ricos em hidratos de carbono. Os estudos científicos que confirmam este processo inflamatório pelo consumo cada vez mais crescente de arroz, pães e batata, estão ao acesso de todos, porém evitam ser divulgados.
Acredito que hajam interesses políticos e lobbies por detrás deste ciclo vicioso, entre eles as crescentes indústrias das lanchonetes fast food, dos alimentos processados e óleos vegetais baratos (quanto mais sabor, mais calorias, maiores cargas glicémicas, mais fome, mais gorduras acumuladas, mais inflamação, mais doenças…); os agro negócios com base na produção de cereais e amidos (são as indústrias mais protegidas pelos governos) e mais poderosa de todas a indústria farmacêutica.
Mas longe de discutir política, antes prefiro me concentrar na solução. Só podemos resolver um problema se soubermos a causa. Apontar o dedo para culpar o governo, os agro negócios, as lanchonetes de fast-food ou o ramo das indústrias de alimentos processados é bem mais fácil, mas não atinge o ponto certo. O verdadeiro problema é a nossa falta de conhecimento acerca de como assumir o controlo da nossa saúde. Mas isso requer o entendimento das consequências hormonais das nossas opções alimentares. Para manter a insulina num nível adequado, é preciso manter o equilíbrio da carga glicémica das refeições com a quantidade apropriada de proteínas pobres em gorduras acopladas com o tipo certo de gorduras.

Para saber mais:

No blog:
Índice Glicémico e tabela de alimentos seleccionados com baixa, média e alta carga glicémica: http://nutriquanticanovaera.blogspot.com/p/tabela-do-indice-glicemico.html
Livros :
O Ponto Z e as Doenças Silenciosas – Dr. Barry Sears.
Cem Anos de Mentira – Ralph Fitzgerald
O Elo Perdido da Medicina – Dr. Eduardo Almeida.
Sites:
www.inflammationresearchfoundation.org/ – experiências clínicas
www.zonediet.com – receitas de refeições e lanches
www.zonelabsinc.com – concentrados de AEP/DHA clinicamente testados.
www.drsears.com – artigos sobre inflamação silenciosa.
http://www.glycemicindex.com/ site oficial do índice Glicémico
http://www.utoronto.ca/nutrisci/faculty/Jenkins/ site do Dr. Jenkins pesquisador do índice Glicémico